Relato de Parto – Nascimento do Vicente (escrito pela mãe, Flávia)

Recebi o relato de parto da Flávia, mãe do Vicente e estou compartilhando com vocês:

“O trabalho de parto começou na sexta-feira, dia 04/04/2014. Desde a 35ª semana eu vinha sentindo contrações doloridas, principalmente à noite. Quando elas começavam a incomodar demais, tomava um buscopan, um banho e tentava dormir.
No dia em que completei 38 semanas, por volta das 23:00, as contrações começaram a vir bem próximas umas das outras e incomodando um pouco mais que nos dias anteriores. O buscopan e o banho não amenizaram o desconforto das contrações, então, com a ajuda do meu esposo Luís, comecei a contar o intervalo entre elas.
Estavam de 4 em 4 minutos.

Às 3:45 a bolsa rompeu, e as contrações diminuíram um pouco de intensidade.
Nossa doula, Érica, estava viajando, e deixou como backup a Taíza, que não conhecíamos até o dia do parto. Por volta das 7:30 entramos em contato com ela. Quando ela chegou, a Lia, nossa filha de dois anos e oito meses (que nasceu de parto normal hospitalar acompanhado pela Dra. Rachel e pela Érica), tinha acabado de acordar. Já tínhamos dito a ela que o irmãozinho nasceria em casa, e quando contamos que o dia tinha chegado, ela ficou muito animada. Depois disso, não olhei mais o relógio e parei de prestar atenção no intervalo entre as contrações. As contrações foram se intensificando pouco a pouco, e e as posições em que eu me sentia mais confortável eram agachada, ajoelhada e sentada. Luís saiu para comprar almoço, e quando ele voltou, resolvi entrar no chuveiro com ele.

A Jú, fotógrafa, chegou. A intensidade das contrações continuou aumentando, mas o banho de chuveiro me trouxe um grande alívio. Percebi que parar de dizer “não”, e, em vez disso, dizer “sim” às contrações, em uma atitude de aceitação e entrega era a melhor forma de lidar com a dor.
Saímos do chuveiro e em pouco tempo as contrações ficaram diferentes. Comecei a sentir mais pressão na região lombar. Voltamos pro chuveiro e o Luís começou a fazer massagens no meu quadril. A médica, Dra. Rachel, e a enfermeira Obstetra Melissa chegaram. Assim que saímos do chuveiro, a Melissa fez o único exame de toque que recebi durante todo o trabalho de parto e pareceu ter um pouco de dificuldade para sentir a cabeça do Vicente. Ela também não disse como estava a dilatação, então pensei que ainda estivesse faltando muito, e comecei a ficar nervosa e insegura, já que as contrações estavam muito intensas.

Pouco tempo depois, eu e o Luís entramos na piscina, onde ficamos por bastante tempo. Perguntei se eu mesma podia tentar sentir a cabeça do bebê com a mão, e a médica e a doula disseram que sim. Tentei várias vezes, mas não consegui sentir a cabeça dele, e sim uma coisa molinha e fofa, como se fosse um balão. Fiquei ainda mais nervosa. Perguntei pra Taíza o que era aquilo, e ela me disse que era um pedaço da bolsa que estava na frente da cabecinha do Vicente. Na contração seguinte senti uma pressão forte e esse pedaço da bolsa se rompeu. Depois disso, consegui sentir a cabeça dele, e me animei novamente.
Nesse momento, as massagens que recebi do Luís e o apoio da Taíza, que em cada contração me ajudava a manter a respiração, a me concentrar e a não brigar com a dor, foram fundamentais. A Lia participou de tudo e se comportou muito bem, com uma naturalidade impressionante. Trouxe vários dindins de limão e muitos saquinhos de mel pra me dar energia, me abanou quando senti calor e enxugou o chão que estava molhado.

A vontade de fazer força chegou aos poucos, e eu comecei a sentir o Vicente descer de verdade. Quando percebi que estava realmente perto de ele nascer, me lembrei da Érica, que em nossos encontros antes do parto me disse que uma das formas de diminuir a pressão sobre o períneo e a probabilidade de ter laceração era reclinar o corpo para trás na hora que o bebê estivesse coroando. Então, mudei de posição. Recostei no Luís e apoiei os pés na borda da banheira.

Às 15:36, aconteceu o momento mais emocionante que já vivi. O Vicente nasceu, e eu mesma o recebi e retirei da água. Já no meu colo, ele deu um suspiro, depois outro, e então começou a chorar. A equipe saiu do quarto e eu, o Luís e a Lia ficamos admirando nosso pequenino até que o cordão umbilical parasse de pulsar. O Luís cortou o cordão, saí da banheira com a ajuda da equipe e a placenta saiu bem rápido. Tive uma laceração bem pequena e superficial.
Vicente ficou no meu colo o tempo inteiro e desde o primeiro momento foi tratado com o respeito e com o carinho que todo ser humano merece. Nossos familiares, que só foram avisados depois do nascimento, começaram a chegar para conhecer o nosso bebezinho e nos encontraram tranqüilos, serenos e felicíssimos pela grande bênção que tínhamos acabado de receber.”

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